quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Para assistir e refletir

A cultura dos oprimidos

Da Cidade de Deus para o mundo, “Sou feia, mas tô na moda”, um documentário que acompanha a realidade do funk e dos moradores da favela no Rio de Janeiro. Linguagem obscena, contexto e imagens eróticas remetem o espectador a um olhar de censura e questionamento de pudores. O cenário simples retrata e é o ambiente, o lar e o germinador de uma das culturas que tem se tornado popular em regiões carentes e até moda até entre jovens de classe A.
O que de início parece um encontro ao vulgar é apresentado minutos após como uma grande produção de conscientização, embasamento e contexto histórico. O espectador percebe logo que as informações e afirmações não são baseadas simplesmente no censo comum, mas também em estudos, história e história de vida dos personagens.
As letras, dos funks criadas na favela são apresentadas como um desabafo de uma classe de oprimidos que sente necessidade de gitar ao mundo que dentro daqueles singelos barracos, daquelas casas sem acabamento há pessoas de bem que quer ser respeitada como ser humano. E há uma sociedade que se organiza para vencer os obstáculos da pobreza e viver dignamente através da cultura.
Cultura, aliás, é o que o espectador questiona a princípio, pois um preconceito já criado impede o de enxergar que não é do todo um vulgar, mas realidade de um povo que esquecido pelas lideranças governamentais, maltratados pelo “poder” se baseou em uma mídia pornográfica. No entanto que tem consciência e censo crítico a ponto de criar sua própria cultura. É um documentário para ser visto sem preconceito, pois, cenas fortes e o linguajar coloquial às vezes constrangem. Porém, em análise e comparação profunda descobre-se que tem um contexto social e não é tão agressivo quanto o conteúdo que a grande mídia veicula todos os dias. A produção de Denise Garcia pode ser encontrada nas locadoras.

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